NILÓPOLIS - O município de Nilópolis deu um passo histórico na saúde pública nesta semana com a inauguração de uma sala exclusiva para o atendimento a pacientes com anemia falciforme. Localizado no Complexo de Saúde Jorge David, no Centro, o espaço é o primeiro da Baixada Fluminense a oferecer uma equipe multidisciplinar dedicada à orientação e tratamento desta condição genética.
A anemia falciforme é uma doença hereditária que atinge predominantemente a população negra — que representa 68% dos moradores da cidade. A condição causa dores intensas e pode comprometer órgãos vitais. O novo "ponto focal" atenderá inicialmente os 68 pacientes já cadastrados no município, oferecendo suporte de médica, enfermeira, técnica de enfermagem e assistente social.
Facilidade no Tratamento A criação da sala evita que pacientes precisem se deslocar imediatamente ao Hemorio, no Rio de Janeiro, para consultas básicas. Agora, eles serão examinados em Nilópolis e só encaminhados para a capital em casos de necessidade de transfusão de sangue. Além disso, o espaço facilita:
O acesso direto à medicação necessária;
A entrada em benefícios como o LOAS e o Vale Social;
O acompanhamento humanizado para evitar crises de dor.
Relatos de Superação A estudante de marketing Maria Eduarda Ribeiro, de 20 anos, convive com a doença desde o nascimento e celebra a conquista. "Muitos médicos não sabem como tratar essa doença. Espero que agora tudo mude", disse a moradora do bairro Novo Horizonte. A empresária Chelen Cristina, de 37 anos, também reforçou a importância do suporte local após enfrentar internações severas e falta de sangue em bancos de doação.
O secretário de Saúde, André Esteves, e a superintendente da Igualdade Racial, Rosimeri Florindo, destacaram que a iniciativa é uma vitória na luta por políticas públicas humanizadas e no combate ao racismo institucional na saúde.

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